Nesse curto espaço de tempo- dezenove anos- é muito complicado e engraçado tentar entender e encaixar no momento certo os acontecimentos que precisariam de muito mais amadurecimento para ocorrer. A esta altura do campeonato, sento-me e analiso minuciosamente todas as poucas e boas que me ocorreram e que eu nesse meio-tempo já aprontei.
Lembro-me de Melissa P., autora de “Cem escovadas antes de ir para a cama”, uma jovem adolescente que bem cedo começa a conhecer o mundo real, o das drogas e da prostituição. Minha realidade não fog desses padrões. Digamos que de tudo conheci um pouco. Sou uma sobrevivente desta grande selva- o mundo.
Não costumo culpar as pessoas que por mais de 18 anos preocuparam-se com a minha educação, embora todos eles tenham uma grande parcela de culpa por me criarem de uma forma bem arcaica. Culpo sim todo esse maldito sistema cheio de formalidades e moral que nos rodeia. Uma moral fajuta do “não faça isso ou aquilo”, da religiosidade hipócrita do “fazer isto ou aquilo é pecado e leva ao inferno”.
Hoje vivo bem mais tranqüila em relação ao que me ocorreu para me desligar mais desses “infernos”. “Há males que vem para o bem”, acho justa e verdadeira a frase. Todo dia agradeço o que me ocorreu para hoje estar escrevendo mais esse texto. Como sempre disse, até hoje não me arrependo um só segundo do que eu fiz e venho fazendo. Pessoas sem arrependimentos são calculistas e premeditadoras e acima de tudo são determinadas- eis o que eu sou.
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